Pietro foi até a clínica com o intuito de desfazer um mal-entendido, afinal eram vizinhos de apartamento e, por cortesia da parte dela, trocavam algumas palavras durante os passeios de Chico e Kira.
Ele conhecia bem os horários e o trajeto feito por ela e intuitivamente organizava seus horários de modo a cruzarem-se.
Quando chegou à clínica, deu-se conta de que não sabia sequer o nome completo dela. Tampouco ela havia avisado ao veterinário que ele iria. Em uma das breves conversas durante um passeio, ela apenas lhe indicara o local.
Certa vez, ao elogiar a pelagem de Kira, ela mencionou o perfil da loja, mas não informou o número. Isso frustrou, ao menos a princípio, os planos de Pietro de obter seu contato. Após uma busca minuciosa, ele encontrou o seu número por meio de um elogio deixado por ela na página da clínica veterinária. Ele a reconheceu pela foto. Uma minúscula thumbnail e um nome bastante comum.
Quando o veterinário lhe disse que não conhecia nenhuma Ana e que, portanto, não poderia ter sido indicado por ela, já se mostrava disposto a recusá-lo. Mas Pietro, no auge da própria fantasia, viu naquela recusa uma oportuna desculpa para entrar em contato com ela.
— Um momento, estou entrando em contato — disse Pietro.
Quando ela atendeu, a voz suave do outro lado do telefone o desnorteou. Pietro balbuciou:
— Estou na loja.
Imaginava que ela reconheceria sua voz e de imediato se recordaria da breve conversa que ambos tiveram na manhã anterior, ainda tão viva em sua memória.
Do outro lado houve um longo silêncio. Em tom seco, ela disse:
— Gentileza, não me incomode. Não sou obrigada.
A ligação caiu. A atendente e o veterinário o fitavam, sorridentes, tentando disfarçar o embaraço.
Comentários
Postar um comentário